PANHARD
0102 / 04

01 / BRASIL

Antes de falar sobre o que eu construo, é preciso falar sobre por que eu construo.

Retrato em preto e branco de Gabriel Werner Ferreira de Oliveira, reservado para a abertura do capítulo Brasil.
EM MINHAS PALAVRAS

M.01 — O PROBLEMA

Em um cenário mundial marcado pela corrida tecnológica, o Brasil ainda caminha a passos lentos. Segundo os principais índices internacionais de 2025, o país ocupa a 52ª posição em inovação geral, entre 139 nações, e a 58ª em competitividade digital, entre 69 economias avaliadas — sendo esta, inclusive, sua melhor colocação desde 2021. Tais números evidenciam um problema estrutural: a distância entre o potencial brasileiro e sua efetiva capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento.

M.02 — A CAUSA

não decorre da falta de talento,

mas da ausência de condições.

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que essa defasagem não decorre da falta de talento, mas da ausência de condições estruturais adequadas.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento permanece abaixo da média global, e a infraestrutura digital do país ainda é insuficiente para sustentar um ecossistema de inovação competitivo. Enquanto nações como Suíça, líder do ranking global há quinze anos consecutivos, e Coreia do Sul, referência em transformar pesquisa em produto industrial, consolidam políticas de longo prazo, o Brasil frequentemente formula planos e diagnósticos que não se traduzem em resultados concretos.

M.03 — O CONTRAPOSTO

ÍNDICE DE VIBRAÇÃO EM IA · STANFORD
UM DOS MAIORES SALTOS DO PERÍODO

Por outro lado, seria injusto reduzir a trajetória brasileira a um cenário de estagnação. Os mesmos indicadores revelam avanços expressivos, sobretudo na área de inteligência artificial: o país saltou da 35ª para a 16ª posição no índice de vibração em IA de Stanford, um dos crescimentos mais notáveis do mundo no período.

Além disso, o Brasil lidera a América Latina em preparo governamental para IA e foi pioneiro na região ao lançar um sandbox regulatório para o setor. Esses dados mostram que, apesar das limitações estruturais, o país já demonstra capacidade de competir em áreas estratégicas quando há direcionamento claro de políticas públicas.

M.04 — O QUE PRECISA MUDAR

Diante do exposto, cabe ao Estado brasileiro, em parceria com universidades e setor privado, converter esse potencial em desenvolvimento efetivo, por meio da ampliação do investimento em pesquisa e da ampliação da infraestrutura digital nas regiões mais carentes do país.

Tal medida deve ser acompanhada de políticas de formação de talentos em áreas estratégicas, como a própria inteligência artificial, garantindo que os avanços já conquistados não se percam por falta de continuidade. Somente assim o Brasil poderá deixar de figurar entre as últimas posições dos rankings de inovação e ocupar o lugar de protagonismo que seus recentes resultados em IA já começam a indicar.

Da escravidão que atrasou a industrialização no século XIX ao 52º lugar em inovação em 2025, o Brasil repete há mais de duzentos anos o mesmo ciclo: começa, estagna e nunca entrega — a vergonha não é estar atrás, é continuar tropeçando nos mesmos erros há séculos.

01 · BRASIL · FIM

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